No dia 10 de maio é comemorado o Dia Internacional de Atenção à Pessoa com Lúpus. A doença, chamada tecnicamente de lúpus eritematoso sistêmico (LES), é autoimune e afeta, principalmente, a pele, as articulações, os rins e cérebro. Porém, qualquer outro órgão também pode ser atingido, dependendo da gravidade da doença.

Segundo o Dr. Paulo Sérgio de Moraes, coordenador médico do Hospital Metropolitano da Lapa, as doenças autoimunes são relacionadas com a produção de anticorpos que reconhecem tecidos do organismo como estranhos ao organismo. “Isso promove uma agressão a estes tecidos e provoca inflamação”, explicou o especialista. Existem mais de 80 doenças autoimunes conhecidas pelos registros médicos, mas o lúpus é uma das mais importantes e difundidas.

A condição se divide em três tipos: lúpus discoide, sistêmico e induzido por drogas. No discoide, apenas a pele é afetada, sendo identificado por meio de lesões vermelhas que aparecem no rosto, na nuca ou no couro cabeludo. O sistêmico ocorre no organismo e acaba comprometendo vários órgãos. Pode acontecer uma evolução do lúpus discoide para o sistêmico, em casos não tratados corretamente. Os sintomas dependem do local inflamado, como rins, coração, pulmões e sangue. Fora isso, também ocorrem lesões cutâneas e problemas nas articulações. Por fim, algumas drogas ou medicamentos também podem provocar uma inflamação temporária. Os sintomas acabam sendo semelhantes aos do lúpus sistêmico. Porém, ao interromper o consumo, os sintomas tendem a desaparecer.

Os sintomas do lúpus podem surgir sem aviso prévio ou se desenvolver lentamente. Eles também podem ser moderados ou graves, temporários ou permanentes. A maioria dos pacientes com lúpus apresenta sintomas moderados, que surgem esporadicamente, em crises, nas quais os sintomas se agravam por um tempo e depois desaparecem.

Os sinais mais comuns que podem indicar lúpus, incluem: fadiga, febre, dores nas articulações, rigidez muscular, inchaços, vermelhidão na pele (rash cutâneo), respiração ofegante e com dificuldade, dor no peito, sensibilidade ao sol, dor de cabeça, confusão mental, perda de memória, aumento de linfonodos, queda de cabelo, feridas na boca, desconforto geral (incluindo ansiedade e mal-estar).

Em casos mais complexos, o lúpus pode causar outros problemas. Afetando o cérebro e o sistema nervoso, é possível que ocorram cefaleia, dormência, formigamento, convulsões, problemas de visão e alterações de personalidade. Caso atinja o trato digestivo, a doença pode causar dor abdominal, náuseas e vômito. Afetando o coração, pode causar arritmia; o pulmão, pode causar tosse com sangue e respiração dificultada; e a pele, pode causar coloração irregular e o fenômeno de Raynaud (dedos mudam de cor com o frio).

Apesar de não existir um conhecimento claro, acredita-se que diversos fatores, como predisposição genética e meio ambiente – incluindo exposição solar excessiva e consumo de medicamentos específicos -, possam causar uma anormalidade no comportamento do sistema imunológico. Isso faz com que ele ataque tecidos saudáveis do corpo, causando um desequilíbrio.

Para detectar a doença, pode ser preciso realizar um exame físico e análise do tórax com um estetoscópio. Um som anormal, denominado atrito pericárdico ou atrito pleural, poderá ser escutado, indicando a possibilidade do problema. Um exame do sistema nervoso também pode ser realizado.

“É possível tratar o lúpus, mas não existe ainda uma cura definitiva para a condição. Contudo, esse tratamento visa controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, explicou o Dr. Paulo Sérgio. Em casos mais graves, que aumentam o risco de morte (como a anemia hemolítica, problema cardíaco ou pulmonar grave, doença renal ou envolvimento do sistema nervoso central), pode ser necessário um tratamento intensivo com orientação de especialistas, incluindo corticoides ou imunossupressores. Os médicos também podem recomendar fármacos citotóxicos, que bloqueiam o crescimento celular quando não há melhora. Porém, o tratamento precisa ser monitorado com frequência, pois esses medicamentos possuem graves efeitos colaterais.

Fonte: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/lupus